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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

BROMÉLIAS NO PAISAGISMO

Por: Rômulo Cavalcanti Braga
O artista expõe suas conferências e ilustra seus conceitos com projeção de imagens deslumbrantes. O paisagista cativa a audiência, transmitindo suas experiências, reflexões acerca de seu trabalho e algumas de suas convicções. Burle Marx, soube como ninguém criar e ousar no paisagismo. Foi dele a idéia acertada de utilizar bromélias, buritis e outros vegetais genuinamente brasileiros em seus trabalhos. Os jardins podem ser pequenos em tamanho, ou realmente pródigos em áreas cultivadas, e se a flora correta for usada para se adequar a forma e ao ambiente, tanto o proprietário como o designer podem obter os resultados da mesma emoção. A imagem tem que saltar aos olhos, dando uma sensação de frescor a quem a contempla. O espectador se encanta com o verde salpicado de nuances e uma palheta de cores proporcionada pelas bromélias, palmáceas, árvores, e suas respectivas inflorescências multicoloridas e frutos. O espírito sente-se em paz, no ambiente arrebatador de beleza exótica. Nada mais enlevante e atraente do que um jardim povoado de seres vivos. Jardins ricos em aves são também repletos de outras formas de vida e apresentam ar, água e solo saudáveis. Os pássaros fazem parte da imensa diversidade biológica do planeta, sendo responsáveis por inúmeros processos que ocorrem na natureza, como equilíbrio ecológico ao se alimentarem de insetos e pragas que atacam plantas, são também agentes polinizadores das flores possibilitando o desenvolvimento dos frutos e semeadores, levando as sementes de vegetais de um local para outro. De nada adianta se ter um belo jardim, com um paisagismo bem elaborado se nele não tivermos a presença dos pássaros e outros pequenos animais que dão vida e charme ao mesmo. Para que isso aconteça necessita-se de plantas que possam atraí-los, dando-lhes pouso seguro, esconder-se dos predadores e local para que construam seus ninhos. Quanto maior a variedade de espécies vegetais cultivadas, mais interessante será o jardim. Outra necessidade de grande importância é a alimentação, por esse motivo é essencial a presença de frutíferas. Já as flores produzem néctar, sendo indicada para chamar a atenção dos beija-flores. Chamo aqui atenção para o fato de que grande maioria de plantas importadas como por exemplo a Azaléia (Rhododendron Simsii) não é atrativa, pois possui uma toxina no pólen e no néctar chamada graianotoxina, produzindo um mel venenoso. Os beija-flores assim como as borboletas conseguem diferenciar e identificar essas plantas e as evitam. Cada espécie de pássaro tem predileção por uma planta, mas algumas destas consegue aglutinar alguns grupos de pássaros de variedades diferentes, como a Jabuticaba (Myrciaria Trunciflora), atrai periquitos, sabiás, sanhaços, saíras e jandaias. Já a Pitanga (Eugenia Uniflora) atrai os bem-te-vis, araponga, tico-ticos, canários da terra e outros. A Fruta de Sabiá (Acnistus Arborencens) consegue aglutinar um grande grupo de pássaros de diferentes variedades. Os reforços na alimentação com comedouros com frutas e grãos também são importantes para contar com a visita desses seres. Onde há Bromélias há sempre a presença marcante dos beija-flores. Então para se contemplar a beleza das plumagens, desfrutar-se dos cantos dos pássaros e dos vôos graciosos das borboletas diariamente é necessário incluir algumas espécies nativas apropriadas ao projeto paisagístico. Tudo isso pode ser conseguido num trabalho bem elaborado, onde se dá ênfase ao tema tropical onde as bromélias e as plantas brasileiras são as estrelas do projeto. As bromélias estão presentes em seis biomas brasileiros (Mata Atlântica, Campos de Altitude, Restinga, Campos Rupestres, Cerrado e Caatinga). Elas são herbáceas perenes que crescem no solo (terrestres), em superfícies rochosas (rupestres) ou em árvores (epífitas). A vantagem de sua utilização no paisagismo é que além de produzirem folhagens ornamentais, também têm inflorescências multicoloridas que duram semanas ou meses e atraem os seus principais polinizadores – os beija-flores. Tentarei classificá-las por categorias:
Abacaxis – Apesar de existirem cinco diferentes espécies de abacaxis, o mais famoso e amplamente conhecido é o comestível (Annas Comosus). Estas plantas do solo possuem folhas guarnecidas por fortes espinhos. Temos ainda o Abacaxi Vermelho (Annas Bracteatus) e o Abacaxi Miniatura (Ananas Nanus) que crescem com folhas e hábitos semelhantes, mas produzem frutos do tamanho de um ovo de galinha respectivamente. Ambos fornecem curiosas características ornamentais para o jardim tropical.
Tillandsias ou Plantas de Ar (Airplants) – É o maior grupo da subfamilia das bromélias. São chamadas de plantas aéreas por viverem em simbiose com as árvores e não crescerem no solo (são muito poucas que são terrícolas). Tillandsias geralmente se desenvolvem como epifitas, rupestres. Algumas possuem folhas verdes macias, outras folhas prateadas. Todas ao florescerem apresentam graciosas flores de cor vermelha, rosas ou roxas e suas brácteas são de um colorido intenso.
Guzmanias ou Bromélias da Tocha – Nativas das florestas tropicais úmidas de montanhas, devem ser cultivadas a meia-sombra. Suas folhas são verdes brilhantes e suas hastes florais são grandes e produzem um colorido vibrante que pode ser vermelho, laranja, rosa, amarelo, roxo, etc.
Neoregélias – Com cerca de cem espécies, estas não produzem hastes florais, suas flores minusculas ficam ocultas dentro das rosetas. Mas seu grande trunfo são as folhas multicoloridas vibrantes e sua rusticidade e resistência. Algumas são listadas, outras manchadas, outras apresentam sardas e etc. São consideradas o curinga do paisagismo.
Cryptanthus ou Estrela da Terra – São pequenas bromélias que se parecem com as estrelas do mar, elas cobrem o solo nos jardins tropicais. Suas flores são facilmente ingnoradas devido ao tamanho diminuto, mas suas folhas são muito vibrantes e decorativas, chegam a ser confundidas com artefatos de plástico.
Aechmea – A subfamilia compreende mais de cem espécies e desenvolvem um tanque em suas rosetas para armazenar água da chuva. As folhas são corjáceas e amplas. E variam em cor do prata ao verde, algumas possuem listas como ornamento. As Aechmeas crescem como epífitas ou rupestres em ambientes bem iluminados ou parcialmente ensolarados nos habitat tropicais. Além de possuirem folhas de interesse arquitetônicos, esses exemplares produzem hastes florais de longa duração, muitas vezes grandes e de ramificação de cor amarela, vermelha, laranja, rosa ou roxa.
Vriesea – A subfamilia contem duzentas e cinquenta especies e estão mais estreitamente relacionadas com as Tillandsias. Combinando as folhas das Neoregélias e ornamentando com as hastes florais das Aechmeas, as Vrieseas são plantas que tendem a crescer mais em sombras, e suportam mais o frio. Possuem folhas coriáceas que as vezes mostram manchas e / ou listas. Suas brácteas florais são coloridas, geralmente em tons de amarelo ou vermelho.
Bromélias do Árido – Três grupos de bromélias são endêmicas da seca, ensolarada da caatinga e desertos da América Central e se parecem mais com as Aloeas e Cactos. Temos nesse caso os Orthophytuns, as Dyckias e Hechtias. Suas folhas são rígidas com curvas e cruelmente forradas de espinhos. A folhagem é esbranquiçada, de cor cinza esverdeada ou cor de vinho. No caso das Dyckias as hastes florais são finas e vistosas, portando flores tubulares amarelas puxadas para laranja. Já no caso das Hechtias as flores são brancas ou cremosas.

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